Não perca sua produção de cana-de-açúcar

A cana-de-açúcar é um dos principais cultivos do Brasil e a presença de pragas é uma realidade nos canaviais. Conhecê-las e saber o momento de sua ocorrência é essencial para o sucesso do controle e ganho de produtividade.

Apesar de ser uma cultura que utiliza baixos níveis de defensivos, ela sofre com incidência de algumas pragas que se não forem corretamente manejadas podem ocasionar prejuízos econômicos à produção canavieira, ocasionando até mesmo a perda do plantio.

Os danos causados reduzem a produção agrícola e afetam a qualidade da matéria-prima a ser industrializada, reduzindo, também, o rendimento dos processos de produção de açúcar e álcool.

Neste artigo vamos citar as principais pragas dos canaviais e os danos causados, além de mostrar os tipos de controle e como realizá-los.

 

As principais Pragas da Cana-de-açúcar são:

  1. Broca da cana-de-açúcar – (Diatraea saccharalis)
  2. Broca Gigante (Castnia licus)
  3. Cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata)
  4. Cupim da cana-de-açúcar
  5. Formigas Saúva (Atta capiguara)
  6. Besouros (Migdolus fryanus)
  7. Bicudo da Cana-de-açúcar (Sphenophorus levis)

  

Broca da cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis)

Essa é a principal praga da cana-de-açúcar. Cientificamente chamada de Diatraea saccharalis e conhecida como broca, se trata de larvas de um tipo de mariposa.

Pode ocorrer em todo o estádio de desenvolvimento e causa prejuízos em seu estágio de larva (lagarta), que se alimenta inicialmente das folhas.

Em estágio mais avançado de desenvolvimento, o inseto penetra no colmo da planta pelas partes mais moles e faz galerias.

Possui ampla distribuição pelo país, atingindo as principais regiões produtoras, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás, e é conhecida pela gravidade de seus danos: para uma produtividade de 80 toneladas por hectare, as perdas ocasionadas pela broca para cada 1% de intensidade de infestação são de 616kg de cana, 28kg de açúcar e 16l de álcool, aproximadamente.

  

 Principais Danos

  • Perda do peso do material.
  • Tombamento devido ao broqueamento transversal do colmo.
  • Coração morto, sintoma observado em plantas jovens, levando ao secamento dos ponteiros; enraizamento aéreo e formação de brotação.

 Além disso, o orifício deixado pela broca é porta de entrada para fungos patogênicos (Colletotrichum falcatum e Fusarium moniliforme) que causam a podridão vermelha, doença que afeta diretamente a produção de açúcar e etanol.

  

Manejo da Broca da Cana-de-açúcar

Para o manejo da broca, é recomendado o controle químico e biológico. A Cotesia flavipes (uma pequena vespa) é o principal agente de controle biológico utilizado para o controle da broca.

Em relação ao manejo químico, o inseticida Ampligo é comprovadamente um produto seletivo, ou seja, não tem impacto significativo no número e na diversidade das populações de inimigos naturais da broca, como a Cotesia flavipes.

  

Broca Gigante (Castnia licus)

Os insetos adultos possuem uma coloração escura, quase preta. Apresentam manchas brancas na região apical, acompanhadas de uma faixa transversal branca na asa anterior. A asa posterior apresenta manchas avermelhadas e uma faixa transversal mais larga.

A oviposição ocorre em touceiras velhas, preferencialmente no meio de detritos e caules cortados. Os ovos inicialmente apresentam coloração rosada, passando a verde-azeitona e alaranjada.

Após a eclosão, surgem lagartas apresentando coloração branca, com pintas pardas no pronoto. O período larval varia de 2 a 10 meses, com 5 instares.

 

Principais Danos

As lagartas abrem galerias verticais no colmo, algumas vezes chegam a destruí-lo completamente, acarretando sérios prejuízos.

Além das galerias, causam o conhecido “coração morto” devido aos danos causados na brotação, comprometendo o poder germinativo e permitindo o aparecimento de podridões.

 

Manejo da Broca Gigante

Para o manejo da broca-gigante utilizam-se inimigos naturais, manejo cultural e semioquímicos. Essa combinação de métodos, quando bem aplicados, é eficiente, duradoura e seletiva. Mesmo assim, o método mecânico catação manual de lagartas e pupas ainda é utilizado.

  

Cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata)

Atualmente, a cigarrinha das raízes está presente em diversas regiões, com elevadas populações no Centro-Sul e em alguns Estados do Nordeste do País, causando danos severos a produtividade e a qualidade da matéria-prima.

O nome da praga está ligado ao seu hábito alimentar: quando jovens, se alimentam das raízes e radicelas das plantas de cana, entretanto, os danos são causados tanto pelas ninfas quanto pelas formas adultas. O clima apresenta grande influência na dinâmica populacional dessa praga, pois com o início da estação chuvosa ocorre a eclosão dos ovos, aumentando o número de indivíduos.

O ciclo biológico da cigarrinha das raízes apresenta duração média de 60 dias, o que possibilita a presença de cerca de três gerações da praga a cada safra.

A espécie é encontrada com mais facilidade na cana soca, porém, em regiões com alta pressão populacional ou em áreas próximas as pastagens, pode-se encontrar a espécie até mesmo em cana planta.

  

 Principais Danos

  • Redução de fotossíntese e
  • Deterioração do colmo pela perfuração das cigarrinhas, morte dos perfilhos, murchamento do colmo e morte da
  • Redução da qualidade do açúcar.
  • Redução da pureza do caldo e aumento dos

  

Manejo da Cigarrinha-das-raízes

A estratégia de controle da cigarrinha-da-raiz inicia-se com o monitoramento da praga que deverá ser realizado no início do período chuvoso e durante todo o período de infestação, para que se possa acompanhar a evolução ou o controle da praga.

É recomendado o uso de controle biológico através do fungo Metarhizium anisoplie, que irá controlar as ninfas e adultos.

A aplicação deve ser realizada quando forem encontradas populações acima de 3 ninfas por metro linear. Por isso, o monitoramento deve ser constante na lavoura.

 

Cupim da cana-de-açúcar

São insetos sociais que vivem em colônias organizadas. Perdas ocorrem com falhas na brotação das soqueiras e redução da longevidade do canavial.

A maioria das espécies de cupins não é agressiva à cultura, ao contrário é benéfica. Podem reduzir em até 10 t de cana/ha/ano, além de ocasionarem redução da longevidade do canavial.

  

Principais Danos

Os principais danos ocorrem na fase inicial da cultura, eles atacam os toletes recém- plantados, danificando as gemas e trazendo, como consequência, falhas na germinação.

 

Manejo dos Cupins

A recomendação é que, no momento de implantação da cultura, o produtor utilize inseticidas adequados no sulco de plantio, evitando que os cupins ataquem os toletes recém-plantados, danificando as gemas e trazendo falhas na germinação.

Aconselha-se que, antes de entrar com ferramentas de controle do cupim, deve-se, primeiramente, verificar a necessidade das mesmas, considerando e analisando diversos fatores, como a percentagem de touceiras atacadas.

É recomendável aplicar o controle químico em locais em que ocorre 40% ou mais de infestação em touceiras quando presentes espécies mais agressivas.

 

Formigas Saúva Atta capiguará

As formigas causam desfolhamento, reduzindo a área foliar das plantas por longos períodos e causando atraso e definhamento da cultura. Tem ocorrência praticamente o ano todo.

Saúva Atta capiguara constitui uma séria praga em sistemas agrosilvopastoris. Os ninhos são grandes e formados por várias câmaras. São insetos sociais, com várias castas.

  

Principais Danos

Os prejuízos causados pelas formigas cortadeiras são consideráveis. Atacam quase todas as culturas, cortando folhas e ramos tenros, podendo destruir completamente as plantas.

As formigas operárias causam grande desfolha, principalmente em plantas jovens, sendo consideradas pragas secundárias em culturas estabelecidas.

  

Manejo das formigas

O controle das formigas deve ser realizado assim que forem detectadas no canavial. Para isso, utilizam-se inseticidas em formulação com pó seco, iscas tóxicas, ou inseticidas aplicadas via termonebulização.

  

Besouros Migdolus fryanus

No estágio de larva, o besouro Migdolus fryanus ataca o sistema radicular da cana causando falhas na brotação das soqueiras, morte em reboleiras e necessidade de reforma precoce do canavial.

Esta fase dura no mínimo dois anos, podendo chegar a três, e as larvas são encontradas até a profundidade de cinco metros no solo. Todo ciclo é subterrâneo. Os adultos vêm a superfície apenas por ocasião das “revoadas”.

  

Manejo do Besouro- Migdolus fryanus

Os melhores resultados de controle são obtidos com a aplicação de inseticidas por ocasião do preparo do solo, em operação conjunta com a subsolagem (subsolador- aplicador) ou aração (arado de aiveca, com aplicador de inseticida), na época seca, quando se observa maior ocorrência de larvas nas camadas superficiais do solo.

 

Bicudo da Cana-de-açúcar

O bicudo do da cana, Sphenophorus levis, é um besouro que na fase larval causa danos nos colmos em desenvolvimento escavando galerias, afetando o stand da cultura e a produtividade.

Reduzem a longevidade dos canaviais, que muitas vezes não passam do segundo corte. A disseminação pelo trânsito de mudas é a hipótese mais provável para explicar a rápida expansão da área infestada, visto que o inseto praticamente não voa e seu caminhamento é lento.

  

Manejo do Besouro- Sphenophorus levis

O controle da praga é o cultural, que consiste na destruição antecipada das soqueiras com o erradicador de soqueiras.

A seguir, a área deverá ser mantida livre de plantas hospedeiras da praga e o próximo plantio deverá ser realizado o mais tarde possível.

As mudas a serem utilizadas no plantio deverão estar isentas da praga, sendo originárias de áreas não infestadas.

 

Conclusão

Em meio a todo o esforço para manter os canaviais saudáveis e produtivos, as pragas da Cana-de-açúcar surgem como um pesadelo na rotina dos agricultores.

Silenciosas no começo, chegam sem despertar suspeita, e quando o produtor nota a presença, muitas vezes, já se espalharam pela plantação.

As principais pragas da cana-de-açúcar listadas acima são altamente adaptadas ao sistema agrícola e de extrema importância econômica, quase sempre de difícil controle.

No caso de ataque dessas pragas em sua lavoura é importante que faça o monitoramento constante e o manejo ideal, em caso de dúvidas é indispensável que procure um especialista da área.

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